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Lei 14.61115 de abril de 20269 min de leiturapor Equipe Docco

Lei 14.611/2023: o guia completo do Relatório de Transparência Salarial

Em 2025, mais de 54 mil empresas brasileiras são obrigadas a publicar o Relatório de Transparência Salarial. Saiba o que é, como cumprir, riscos de descumprimento e como benchmarkear suas faixas com defesa.

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei 14.611 alterou o artigo 461 da CLT e criou o que a maior parte do RH brasileiro ainda está aprendendo a operar: a obrigação semestral de publicar um Relatório de Transparência Salarial detalhado, comparando remunerações por gênero, raça e função.

Em setembro de 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego confirmou que o relatório está disponível para download no portal Emprega Brasil para mais de 54 mil empresas — todas as que têm 100 ou mais empregados. A obrigação não é opcional: o descumprimento gera multa administrativa de até 3% da folha de pagamento, limitada a 100 salários mínimos.

O que a lei realmente exige

A obrigação não se resume a publicar um arquivo. O relatório precisa conter:

  • CNPJ e identificação do estabelecimento.
  • Número total de trabalhadores separados por sexo, raça e etnia.
  • Valores medianos do salário contratual e da remuneração bruta.
  • Proporção salarial entre mulheres e homens.
  • Critérios remuneratórios utilizados, escolaridade e ocupação dos cargos.

O documento precisa ser publicado em mídia digital — site institucional ou rede social oficial — até o último dia do mês seguinte à liberação do MTE. A coleta de dados acontece em fevereiro e agosto, e a fiscalização do cumprimento é compartilhada entre Auditoria-Fiscal do Trabalho e Ministério Público do Trabalho.

Por que isso muda o jogo do RH

Antes da lei, faixas salariais eram conversa interna do RH com o board. Agora, o relatório é público — qualquer pessoa, candidato, jornalista ou concorrente, pode auditar como sua empresa remunera. Três efeitos colaterais já estão sendo observados em 2025:

  • Pressão de candidatos com dados.Em entrevistas, candidatos chegam citando o relatório. “Vi que vocês pagam P50 do mercado para essa faixa, esperava P75” — não é mais especulação.
  • Negociação interna ficou mais rigorosa. Líderes de área querem entender como a faixa que oferecem ao novo contratado se compara com a de quem já está dentro.
  • Boards exigem benchmark defensável.Não basta dizer “está alinhado ao mercado”. É preciso mostrar fonte, metodologia e amostra.

Antes do relatório, eu defendia faixa com benchmark anual da consultoria. Hoje preciso de algo que aguente questionamento mensal. A lei mudou a frequência da conversa.

Diretora de Compensation, varejo brasileiro · ilustrativo

Os riscos do descumprimento (e os menos óbvios)

A multa administrativa de 3% da folha já chama atenção, mas há três riscos invisíveis que custam mais:

  • Risco reputacional.Empresas que publicam disparidade alta sem narrativa preparada viram manchete. “Empresa X paga 28% menos a mulheres na mesma função” é o tipo de título que CHRO não quer ver.
  • Risco trabalhista. O relatório vira evidência para ações de equiparação salarial. Casos onde a disparidade não é explicável por critérios objetivos podem virar condenação.
  • Risco em M&A. Empresa em processo de fusão ou aquisição precisa apresentar histórico do relatório. Falhas viram red flag em due diligence.

Como cumprir com qualidade

Cumprir a obrigação básica é simples: gerar o relatório no portal Emprega Brasil e publicar. Cumprir com defesa é outra história. Para isso, você precisa de:

  • Plano de cargos e salários bem definido, com critérios objetivos de progressão.
  • Benchmark de mercado defensável, com fonte, metodologia e amostra documentadas.
  • Análise de gap por gênero e raça, com plano de ação documentado quando houver disparidade.
  • Comunicação interna preparada — o relatório não pode pegar líderes de surpresa.

Ver na prática como geramos um benchmark Lei 14.611-ready

O caminho à frente

A Lei 14.611 não é apenas obrigação — é vetor de profissionalização do compensation. Empresas que tratam o relatório como tarefa burocrática vão sofrer. Empresas que usam a obrigação como oportunidade de ter dados de mercado defensáveis e processo de cargos auditável vão sair na frente em recrutamento, retenção e marca empregadora.

Fontes consultadas

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